PMs apresentam versão diferente das testemunhas no caso Márcio Perez

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Um engano. É assim que os policiais militares definem a ação que resultou na morte do empresário espanhol Márcio Perez Santana, 41 anos, ocorrida na quarta-feira (19), no bairro de Armação, em Salvador. A TV Bahia e o CORREIO tiveram acesso ao registro feito pelos militares após o assassinato, onde eles explicam o que aconteceu naquela noite.

Segundo o registro, os PMs foram abordados por pessoas próximo ao antigo Centro de Convenções, por volta das 23h. Elas contatam que homens em um carro branco, modelo Fiat Palio, estavam realizando assaltos na região. Os policiais teriam identificado um veículo suspeito alguns metros à frente e ligaram a sirene da viatura, pedindo que o motorista parasse.

Ainda segundo o relato dos militares, quando os homens no veículo perceberam a presença dos policiais atiraram contra a viatura e tentaram fugir, o que deu início a uma perseguição com tiroteio. Os policiais contaram que o carro de Márcio surgiu no meio da confusão, em alta velocidade e colidiu no canteiro central.

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Os PMs disseram que socorreram Márcio até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Marback, onde o empresário chegou sem vida. Havia uma mulher no carro com a vítima, que teve algumas escoriações. O caso foi registrado na 9ª Delegacia (Boca do Rio). Veja vídeo do socorro abaixo:

Contrário
A versão dos policiais vai de encontro ao relato das testemunhas. Segundo os moradores, Márcio estava estacionando o carro em casa quando a viatura se aproximou, com as luzes e faróis apagados. O empresário não teria ficado com medo de ser assaltado e arrastou com o carro, sendo perseguido e baleado na nuca.

Os policiais da 58ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ Cosme de Farias) não explicaram no relato o que estavam fazendo próximo ao antigo Centro de Convenções, região distante da área em que a Companhia atua.

Nesta segunda-feira (24), o advogado Alcindo Anunciação Júnior, que representa a mulher que estava no veículo com Márcio, conversou com a TV Bahia e disse que a versão dela é a mesma das testemunhas que presenciaram o crime.

“A versão apresentada (pela mulher) é de que eles chegaram em casa, pararam o carro, e que um carro parou logo atrás, só com os faróis ligados, sem giroflex (sirene). Eles ouviram os gritos ‘sai, sai, sai’, o Márcio Perez pensou que fosse uma ação de bandidos e saiu com o carro. Foi quando começaram os tiros”, contou o advogado.

Durante a perseguição o carro subiu o meio-fio e bateu em uma árvore. Foi nesse momento que a mulher percebeu que Márcio Perez estava baleado. O advogado disse que também teve acesso a versão apresentada pelos policiais e que as duas histórias estão sendo apuradas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da PM.

Nesta segunda, o Ministério Público da Bahia (MPE-BA) designou dois promotores para acompanhar o caso. O assassinato de Márcio Perez ganhou as manchetes dos jornais espanhóis e o cônsul da Espanha no Brasil enviou uma carta para o governador cobrando empenho da polícia baiana para esclarecer o crime.

Dois policiais militares foram afastados das atividades, mas não tiveram os nomes divulgados. O corpo do empresário foi velado na capela do Hospital Espanhol na sexta-feira (21) e encaminhado para a Espanha, onde os pais dele moram. Márcio era filho único e deixa duas filhas.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) segue sem comentar a investigação.

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