Professora morre após passar por quatro hospitais públicos em um dia

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Foi enterrada na manhã desta segunda-feira (17) a professora Cintia Cristina Ribeiro Alcino, de 45 anos, que morreu em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, após passar por quatro hospitais públicos da cidade no domingo (15). Segundo familiares, a mulher apresentava sintomas de gripe e morreu com parada cardiorrespiratória em um hospital particular. A família aponta omissão de socorro.

De acordo com a família, Cintia deu entrada por volta das 8h de domingo na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Depois ela passou pelo Posto de Urgência Saldanha Marinho, pelo Hospital Ferreira Machado e pelo Hospital Geral de Guarus. Cintia Cristina morreu em um hospital particular, por volta das 19h30, depois de esperar uma hora meia para ser atendida.

“O que levou ela ao óbito a gente não sabe. No último hospital disseram que ela teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. O laudo do IML também confirma. Mas os sintomas dela eram de gripe. O que mais me assusta é a omissão de socorro. Nos últimos três hospitais sequer quiseram atender ela”, afirmou o primo da Cintia, o guarda municipal Isaac Ribeiro.

Em nota, a Prefeitura de Campos confirmou que a paciente foi colocada em uma maca no Hospital Ferreira Machado e depois transferida para o Hospital Geral de Guarus, onde também não havia leitos, motivo pelo qual a família a levou para a unidade particular.

Peregrinação
Cintia deu entrada por volta das 8h da manhã no domingo (15) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi receitada uma medicação e a paciente foi liberada, segundo familiares. Em nota, a Secretária Estadual de Saúde informou que a paciente foi atendida, diagnosticada com amigdalite, tendo sido prescrito um protetor estomacal por causa do uso de antibióticos.

Os familiares procuraram o Posto de Urgência Saldanha Marinho, onde a professora foi atendida e teve o quadro hospitalar agravado, segundo a família, e transferida de ambulância para o Hospital Ferreira Machado, onde não havia vagas. Em nota, a Prefeitura afimou que “antes que as providências fossem tomadas no HFM para que a mesma passasse pela classificação de risco, a paciente foi retirada da unidade e de volta à ambulância foi levada para o Hospital Geral de Guarus”.

No Hospital Geral de Guarus a professora também não foi atendida por falta de leitos. Segundo a Prefeitura, Cintia chegou ser atendida por uma médica de plantão. “Não havia leito disponível na hora da chegada e a equipe foi mobilizada para abertura de um novo leito ou transferência da mesma para a rede contratualizada. Antes da definição de que forma aconteceria a internação da paciente, a família teria optado por levar a mesma para um hospital particular”, afirma a nota.

No hospital particular, a professora demorou cerca de uma hora e meia, segundo os familiares, para ser atendida, também por falta de vagas. “Ela ficou mais de um hora dentro do hospital esperando o atendimento. Eu não perguntei preço, mas eles já disseram que seria caro. Só queria socorrer minha prima”, disse Isaac.

Em nota, o hospital afirma que atendimento da paciente foi autorizado pela diretoria, sem atraso, mesmo sem pagamento, prevalecendo o risco de morte da paciente.

A nota também diz que o hospital está providenciando relatórios para serem enviados, após a apuração dos fatos, para o Ministério Público, Conselho Regional de Medicina e Secretaria Municipal de Saúde com o objetivo de evitar acusações e interpretações equivocadas sobre o atendimento.

“A culpa não foi só do hospital particular que demorou no atendimento, foi dos outros também que sequer quiseram acolher ela. Não teve socorro para ela”, afirmou Isaac.

Além de professora, Cintia era barachel em direito e deixou um filho de 11 anos

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