Projeto Corra pro Abraço comemora dois anos de trabalho nas ruas de Salvador

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O palco e os microfones do Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho, na quinta-feira (24), serviram para dar visibilidade a pessoas em situação de rua usuárias de substâncias psicoativas, um dos segmentos mais excluídos e estigmatizados da nossa sociedade. Ao lado dos agentes de arte-educação e técnicos do projeto Corra pro Abraço, que completou dois anos de existência, elas apresentaram a animada Orquestra Cênica de Rua, com grupo percussivo, músicas e cenas compostas coletivamente pelo grupo. No evento, eles tiveram também a oportunidade de ouvir um concerto do Quinteto de Sopro do Neojiba.

“Esse é um dia muito importante para mim, porque há um tempo atrás eu estava sozinho, cabisbaixo, aí eu conheci o Corra, esse pessoal que me trata bem, procurou levantar minha autoestima, é como se fosse minha família”, afirmou Luciano Souza, 38 anos, há 15 anos em situação de rua e um dos percussionistas do show.

Usuário de substâncias psicoativas, após uma briga com a família, Luciano saiu de casa e nuca mais voltou. “Depois do Corra, melhorei em termos de aliviar mais as drogas. Eu era ‘carro desgovernado’. Passei a participar, então não estou mais como eu era antes, diminui bastante”, disse Luciano, acrescenta que “o Corra é um projeto que ocupa nossa mente”.

Visibilidade

Realizado pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), em parceria com o Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), o projeto foi iniciado como um piloto para o desenvolvimento da metodologia e obteve continuidade devido ao sucesso dos resultados alcançados.

“O Corra dá visibilidade, leva para o teatro, para o museu, para o cinema. Faz com que eles se sintam pessoas com direitos e com valor”, explicou a coordenadora geral do projeto, Maria Eleonora Rabello. As ações de visibilidade servem, ao mesmo tempo, para ajudar na melhoria da autoestima dessas pessoas, mas também para levar aos espaços públicos a reflexão sobre os preconceitos e estigmas que recaem sobre as pessoas em situação de rua.

Na rua

O projeto atua em duas cenas urbanas de uso de drogas em Salvador, a Praça das Mãos, no Comércio, e a estação do Aquidabã, onde uma equipe multidisciplinar com psicólogos, assistentes sociais, arte-educadores, advogados e outros profissionais se aproxima da população que está nas ruas, procura construir vínculos, fazer o atendimento inicial na rua e, conforme a demanda, encaminhá-los à rede de atenção básica e demais serviços da rede de assistência social.

Também na percussão da Orquestra Cênica de Rua, André Dias, 27 anos, há cerca de 5 anos na rua, contou como o projeto tem mudado a sua vida. “Achava que não podia. Eu falei pro pessoal do Corra: ‘mas eu bebo muito, eu cheiro muito’. Eles disseram: ‘você não acredita em você? É redução de danos, a gente vai te ensinar a reduzir’. E eu consegui. Recebi o certificado do curso de redutor de danos e tô fazendo o de azulejista, pelo Pronatec. Eu bebia o dia todo, hoje em dia reduzi bastante porque não pode ir para o curso embriagado – o trato foi esse. Meus amigos do Corra dizem que acreditam em mim, aí me dão força. Foi tudo de bom na minha vida”.

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