TJ isola juíza que deve julgar pedido de prisão de Lula na próxima semana

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A previsão de que a 4ª Vara Criminal da capital paulista só decidirá sobre o pedido de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana levou a direção do Tribunal de Justiça de São Paulo a determinar, nesta sexta-feira (11), o isolamento da área no Fórum da Barra Funda.

Segundo a assessoria de imprensa do TJ-SP, a medida foi adotada para preservar a tranquilidade do trabalho da juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira, que é a responsável pela causa contra o ex-presidente.

O Ministério Público de São Paulo pediu a prisão do ex-presidente em denúncia apresentada na última quarta-feira (9) sobre o tríplex em Guarujá (litoral de São Paulo), que teria sido preparado para a família do petista.

O ex-presidente é acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, crimes que podem render de 3 a 10 anos de prisão e de 1 a 3 anos, respectivamente. Sua mulher, Marisa Letícia, e um dos filhos do casal, Fábio Luís Lula da Silva, também são acusados de lavagem de dinheiro.

A denúncia contra Lula tem 36 volumes. A análise desse material deverá tomar alguns dias.

A juíza, conhecida pela discrição e rigor técnico, já havia relatado a colegas do Fórum da Barra Funda sua preocupação com a superexposição do pedido.

Diferentemente das prisões da Operação Lava Jato, em que as detenções foram determinadas em fase de investigação, a definição sobre o caso do ex-presidente deverá acontecer em paralelo à decisão sobre a abertura de ação criminal contra o petista. Se isso ocorrer, ele passa à condição de réu.

Somente advogados e pessoas com compromissos de comparecimento à vara poderão acessar a área correspondente, no fórum.

A reportagem estava no local e foi informada por uma funcionária da Justiça, que estava acompanhada de seguranças, de que deveria deixar a área.

DISCRIÇÃO

Juízes e promotores dizem que a magistrada tem perfil de quem não cede a pressões e apostam que ela levará alguns dias para terminar o exame dos 36 volumes da denúncia contra Lula, já que é muito cuidadosa na análise das causas.

Segundo uma colega de fórum, nesta quinta-feira Veiga fechou as janelas da sala onde trabalha para preservar sua privacidade profissional.

Formada em 1995 pela Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco), Veiga completará no fim de março 17 anos na magistratura.

Antes de chegar à etapa final da carreira de primeira instância, como juíza titular de uma vara da capital, a magistrada atuou nas cidades de Mogi das Cruzes e Embu.

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