Ufba reforça segurança após ameaça de morte a professora; grupo protesta na Federação

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Após receber ameaças de morte por conta de projeto de pesquisas de gênero, a profesora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) está dando aula com vigilância reforçada. A informação foi divulgada pela Ufba. “A instituição tem tomado todas as providências para garantir a segurança dos envolvidos e a realização dos eventos científicos, aumentando, inclusive, a segurança nos locais em que a professora ministra aulas”, destacou a Ufba em nota.

O fato veio a conhecimento público depois que o reitor da Ufba, João Carlos Salles, que é presidente do Conselho Universitário da Ufba, afirmou que a educadora estava sendo ameçada de morte. Na manhã desta quarta-feira (22), um grupo de aproximadamente 80 professores, servidores e alunos realizam um ato de solidariedade em favor da professora no Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Ufba, na Federação.

A professora, que teve o nome preservado, recebeu as ameaças por desenvolver pesquisas relacionadas à divisão sexual do trabalho. Os ataques contra ela ocorrem há cerca de um mês. Além de lecionar, a vítima é pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim), grupo de estudos sobre gênero e sexualidade vinculado ao curso de Ciências Sociais.

Representantes do Neim confirmaram ao CORREIO que a segurança nos locais onde a professora leciona estão reforçadas há pelo menos uma semana.

O ato foi convocado pelo Neim e grupos de pesquisa Trabalho, Precarização e Resistências, História dos Partidos e Movimentos de Esquerda na Bahia e Representações Sociais: Arte, Ciência e Ideologia. O movimento também é em solidariedade ao docente André Mayer da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), alvo de um inquérito movido pelo Ministério Público Federal (MPF) por coordenar a pesquisa Liga Comunista – Núcleo de Estudos Marxistas no âmbito da Ufop.

Ensino ameaçado
Ao menos três professores da Ufba foram ameaçados – um deles de morte – por conta do teor de pesquisas que desenvolvem na instituição. Além dos docentes, uma aluna do mestrado também foi ameaçada dias antes de apresentar sua dissertação.

“Em episódios recentes, verificamos ameaças de morte e outros tipos de violência contra uma de nossas docentes, pesquisadora do Neim; a tentativa de impedimento de defesa de uma dissertação de Mestrado de aluno do IHAC (Instituto de Humanidades, Artes e Ciências), tendo que solicitar a segurança da própria universidade; e a perseguição e ridicularização nas redes sociais de projetos de pesquisa e extensão que versam sobre essas temáticas”, João Salles, reitor da Ufba em carta pelo Conselho Universitário.
Segundo Maíra Kubik Mano, uma das 15 pesquisadoras do Neim e escolhida com porta-voz do grupo, as mensagens de ameaça à professora vêm de diversos perfis em redes sociais. Mas ainda não se sabe quem estaria por trás delas. Por conta da situação, o núcleo pretende mover uma ação judicial contra os ataques que a professora vem sofrendo.

O caso está sendo acompanhado pela Procuradoria Federal junto à Ufba, que recomendou que a vítima prestasse queixa na Polícia Federal. Provas estão sendo reunidas para que possam ser levadas à polícia.

No dia 6, a Ufba precisou reforçar a segurança na porta de uma sala onde acontecia a defesa de uma dissertação de mestrado depois que a estudante que apresentava o trabalho foi ameaçada. O orientador do trabalho, professor Leandro Colling, contou que a pesquisa era sobre sexualidade e diversidade de gênero na educação infantil.

“A dissertação foi apresentada sem problemas, mas tivemos que pedir reforço da segurança. Eu tive que explicar para as pessoas por que havia seguranças na porta”, contou.

Colling criou e coordena o grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) da Ufba, que discute sexualidade e diversidade de gênero. Ele acredita que, nos últimos anos, houve um aumento da intolerância no país e que essas ações estão sendo potencializadas pela internet.

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