Joesley revela que pagava mesada de R$ 50 mil a Aécio Neves

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O empresário Joesley Baptista, da holding J&F, dona da JBS, revelou à Procuradoria-Geral da República (#PGR) que realizou pagamentos mensais de R$ 50 mil ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao longo de dois anos. Os pagamentos do empresário teriam sido feitos à Rádio Arco Íris, afiliada da Jovem Pan de Belo Horizonte, da qual Aécio foi sócio. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, dia 20, pelo jornal Folha de S. Paulo.

Segundo relevado por Joesley à PGR, #Aécio Neves fez o pedido diretamente ao empresário em um encontro no Rio de Janeiro. De acordo com Joesley, o senador pediu o pagamento da quantia para custear suas despesas mensais.

Para comprovar os pagamentos, o empresário apresentou 16 notas fiscais que mostram pagamentos à Rádio Arco Íris, realizados entre os anos de 2015 e 2017.

A revelação foi feita por Joesley no acordo de delação premiada fechado com a PGR e entregue em 31 de agosto de 2017. Em maio do mesmo ano, o empresário já havia chacoalhado o cenário político nacional ao divulgar gravações telefônicas com o presidente Michel Temer (MDB) e com o próprio Aécio, que foi flagrado pedindo uma contribuição de R$ 2 milhões para custear despesas de campanha.

Descritas como “serviço de publicidade”, as notas fiscais apresentadas por Joesley eram registradas como patrocínio ao programa Jornal da Manhã, transmitido pela rádio da qual Aécio Neves era sócio. Segundo divulgado pela Folha de S. Paulo, a soma das notas fiscais entregues pelo empresário à PGR mostram que Joesley pagou cerca de R$ 864 mil em mesadas para o senador tucano.

Em seu depoimento, Joesley revelou não saber se parte da quantia foi mesmo utilizada para custear publicidade na rádio, mas afirmou ter pago os valores mensais para manter o bom relacionamento com o senador, derrotado no segundo turno da eleição presidencial de 2014 e que, na época, mirava voltar a concorrer ao cargo em 2018.

Aécio vendeu suas cotas na Rádio Arco Íris para a irmã Andrea Neves por R$ 6,6 milhões em setembro de 2016. Com a transação, o patrimônio declarado à Receita Federal pelo tucano chegou a R$ 8 milhões naquele ano.

Tanto Aécio como sua irmã tornaram-se réus por corrupção no início desta semana, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu aceitar a denúncia da PGR. Além deles, também tornaram-se réus no mesmo o processo o primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrela (MDB-MG), aliado político do senador.

As notas fiscais apresentas por Joesley mostram pagamentos de R$ 54 mil feitos de julho de 2015 até junho de 2017.

Os depósitos foram feitos diretamente da conta da JBS para a da Rádio Arco Íris. Para comprovar os pagamentos, Joesley apresentou comprovantes bancários. O empresário não explicou a diferença de R$ 4 mil entre o valor que afirmou pagar e o descrito nas notas fiscais. O valor pode ter sido elevado para subtrair eventuais impostos.

Defesa e rádio negam irregularidades

Advogado de Aécio Neves, Alberto Toron emitiu nota criticando Joesley Baptista, a quem acusou de “forjar mais uma falsa acusação”. O defesor do senador confirmou que a JBS realizava pagamentos para a Rádio Arco Íris, mas negou que os valores seriam destinados à Aécio ou que teriam sido pedidos pelo político. O advogado também classificou as acusações de Joesley como “demonstrações de má-fé”, citando a “falta de credibilidade” do que chamou de “mentira desse cidadão”.

Ainda de acordo com a Folha de S. Paulo, a Rádio Arco Íris admitiu que a JBS era uma de suas patrocinadoras, mas afirmou que se tratava de uma relação “estritamente comercial” de “prestação de serviços publicitários”, sem “caráter político”.

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