Presidenciáveis ainda buscam vice para disputar eleição

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A 80 dias da eleição, os candidatos à Presidência da República ainda não sabem quem terão ao lado nos palanques como candidatos a vice. Se a maioria das legendas enfrenta dificuldades até mesmo para bater o martelo sobre quem será o cabeça de chapa, para o cargo de vice o cenário é ainda mais confuso.

Nessa quarta-feira (18), o pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) viu seu plano de lançar o general Augusto Heleno como vice frustrado após o Partido Republicano Progressista (PRP), ao qual Heleno é filiado, se recusar fazer aliança com o deputado. Com exceção de Guilherme Boulos (Psol), que terá como vice a índia Sônia Guajajara, os demais presidenciáveis ainda não definiram seu vice.

Segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto – atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mesmo preso tenta se lançar candidato –, Bolsonaro enfrenta vários problemas para escalar sua chapa e firmar alianças para a disputa pelo Palácio do Planalto. O nome preferido do parlamentar para ser candidato a vice era o do senador Magno Malta (PR), mas na semana passada Malta e lideranças do PR descartaram a possibilidade de parceria. O PR anunciou que o senador tentará a reeleição. Apesar de recusar a candidatura a vice, Malta disse que continuará apoiando Bolsonaro, que é  capitão da reserva do Exército.

Após a desistência do senador, Bolsonaro disse durante palestra na terça-feira, na Associação Comercial de Registro, em São Paulo, que oficializaria nessa quarta-feira (18) o general Heleno como vice. O militar, que comandou a missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti, entre 2004 e 2005, e foi chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, era considerado nome ideal para dividir os palanques com Bolsonaro, uma vez que representaria alguém fora da política e com posições parecidas às do pré-candidato.

O general chegou a afirmar que estaria “pronto para cumprir a missão”, indicando que aceitaria participar da chapa, mas nessa quarta-feira (18) o PRP recusou indicar o nome dele para vice de Bolsonaro. A assessoria do partido informou que o diretório nacional esperava lançar o general para uma vaga no Senado, mas que as negociações ainda estavam em aberto. A decisão da legenda desagradou Augusto Heleno, que pretende continuar ajudando na campanha de Bolsonaro e afirmou nessa quarta-feira (18) que vai se desfiliar do PRP.

De acordo com a presidente estadual do PRP no Rio de Janeiro, Eliane Cunha, as ideias de Bolsonaro não combinam com o partido e por isso a indicação do vice foi descartada. “Nós nos sentimos honrados, ele é um deputado de mandato, mas contraria alguns interesses regionais nossos. Ainda estamos verificando o que mais se adequa à nossa filosofia partidária, ao nosso discurso, mas Bolsonaro não combina, não dá”, afirmou Eliane. Procurado pela reportagem para comentar a recusa do PRP, Bolsonaro não atendeu às ligações.

Com a negativa de PR e PRP, Bolsonaro deve optar por uma chapa puro-sangue com um nome do próprio PSL na vice. Uma das saídas estudadas é indicar a advogada Janaína Paschoal – já filiada ao PSL –, um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A falta de alianças, no entanto, representará obstáculo para o parlamentar, uma vez que o partido tem pouco tempo de televisão e contava com apoio de outras legendas para ganhar mais tempo de campanha. A convenção do PSL está marcada para o próximo domingo.

DISPUTA PELO CENTRÃO Outro que enfrenta dificuldades para conseguir firmar apoio de outras legendas é o pré-candidato do MDB ao Planalto, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Com apenas 1% nas intenções de voto, Meirelles busca alianças com os partidos do bloco que ficou conhecido como “centrão” – DEM, PP, PRB e Solidariedade. Nessa quarta-feira (18), ele se reuniu com os presidentes do PRB, Marcos Pereira, e do PP, Ciro Nogueira, para discutir o cenário político. O ex-ministro sinalizou que a vaga de vice poderia ficar com o PRB caso a sigla aceite apoiá-lo.

Após palestra no Fórum Mobilidade, em Brasília, Meirelles minimizou os problemas para compor sua chapa, que enfrenta a resistência de muitos políticos por ser associada ao governo de Michel Temer – que bateu recorde de desaprovação popular nas últimas pesquisas, sendo considerado ruim por mais de 80% da população. “Não existe um grande número de alianças já concretizadas (em outras chapas). Existem muitas intenções, apenas. Tenho conversado com um grande número de partidos nos últimos dias, mas eu gosto de anunciar resultados”, afirmou Meirelles. Até agora, o “centrão” tem conversado com os pré-candidatos Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Ackmin (PSDB), mas o cenário continua indefinido.

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