Sistema de cartão pré-pago da água é perverso

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Presidente mundial da Consumers International e coordenadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazzarini teme que a idéia do cartão pré-pago no fornecimento de luz e água aumente a exclusão social. A Ampla, distribuidora de energia elétrica que atende 66 municípios no Estado do Rio, já manifestou interesse em adotar o sistema. Duas concessionárias de água — em São Paulo e Goiás — lançaram mão dessa estratégia mas desistiram.

— A introdução da tecnologia do cartão pré-pago é perversa porque, na prática, o consumidor que não pode pagar tem que se auto desconectar — resume Marilena. (Entrevista em O GLOBO 03/07)

Marilena Lazzarini é a presidente do FNECDC -Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor como representante do Idec, onde a Adocon de Tubarão é membro do Conselho Diretor representada pela Presidenta Reneuza Marinho Borba. A Adocon tem o mesmo posicionamento de Marilena Lazzarini – O CARTÃO PRÉ- PAGO É PERVERSO PARA O SISTEMA DE ÁGUA.

Pré-pago é prejudicial para baixa renda

No sistema de cartões pré-pagos no fornecimento de energia e água, o cidadão escolhe quanto pode pagar, recebe os créditos e, caso não renove o pagamento, tem seu fornecimento cortado. A idéia do pré-pago na energia e na água começou na Inglaterra nas reformas da era Thatcher.

Quando foi finalmente introduzido, em 1998, o sistema prometia queda no valor das tarifas de energia, sob a alegação de que o mercado ficaria altamente competitivo. Mas, na prática, as empresas acabaram se fundindo e grande parte do mercado está nas mãos das três gigantes européias: EDF (França), E.ON e RWE (Alemanha). As quedas no preço da energia foram repassadas apenas para grandes consumidores (indústria e comércio) e, em 1998, os consumidores residenciais pagavam 220% a mais que os grandes consumidores. O sistema é usado hoje por cerca de 3,8 milhões de ingleses de baixa renda. Nos Estados Unidos, o pré-pago está sendo implantado muito lentamente.

O sistema pré-pago de água foi implantado na Inglaterra e na África do Sul. Entre os ingleses, a experiência começou em 1996 e, além de gerar um aumento de 30% nas tarifas, as ações judiciais foram tantas que em 1998 o sistema foi abolido. Na África do Sul, estudos verificaram um aumento exponencial de casos de cólera, pois as pessoas que não podiam pagar pela água tratada recorriam a outras fontes.

No Brasil, três empresas se interessaram pelo sistema. A Sabesp concluiu que seria inviável economicamente adotar o sistema em São Paulo. A Saneago, de Goiás, fez o teste em 420 residências de Abadia de Goiás, mas desistiu porque a tecnologia mostrou-se economicamente desvantajosa. E a Saneatins testa o sistema há cinco anos em 50 residências do Tocantins.

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