Publicado em : 5 de maio de 2012

Tempos difíceis, de alerta e calamidade

Por: Rogério Lima

Por conta do caos e lamaçal dos quais nos encontramos submersos não conseguimos vislumbrar a recuperação do indivíduo. Indivíduo contaminado e que retira proveito e quer colher bônus até da desgraça alheia. Querem pousar de protagonistas até nos momentos difíceis de quem sofre por água e, conseguintemente, pelo alimento. Porque a falta de um culmina na carência do outro. Sem a água que molha e que regra não se tem comida e, principalmente, fartura.

Ainda neste momento sem conseguir libertação das ações equivocadas ou de extrema falta destas que são ou seria de responsabilidade dos partidaristas políticos, criticamos sem receio e titubeio dos homens públicos com cargos e eleitos para bem atender os anseios das comunidades. Ficar livre de mencioná-los é tarefa das mais difíceis. A falta de saúde tem extinguido vidas em série. De semelhante maneira as faltas de segurança preventiva, educação preventiva, preparação preventiva para que o treinado e habilitado encontre o emprego qualificado e digno. Estas referências do agir antes, repetidas e reiteradas vezes são aqui ditas intencionalmente. Para que se fixe em todos, de que devemos tentar antever as situações de crise. Lamentavelmente ainda não conseguimos mencionar os partidaristas positivamente. Porém, necessitamos de políticos voluntários e que cumpra a função nobre em toda sua essência. A referência pejorativa é para os politiqueiros o que se é contrário da significação do político com todas as letras e inteireza. O seja, política é coisa boa e politicaria é coisa ruim. Necessitamos preservar a primeira e extinguir a segunda.

Antes que a situação crítica de fato aconteça passamos pelos seguintes estágios. E aqui vale, especialmente, para o problema da seca, mas serve para exemplificar demais outras situações que vai se agravando.

Entretanto, vivemos em constante estado de alerta. O homem nunca está completamente tranquilo. Vez por outra acende uma luz amarela de atenção para que a coisa não assuma situação incontornável. Em seguida há o estado de emergência. O que parece decretado em nosso município. Aqui a luz já não acende e apaga, está permanentemente, acesa, exigindo alerta e rapidez nas ações. Inclusive renunciando e abrindo mão de festas e outras coisas passáveis e que não comprometem a vida de ninguém. Evento festivo em tempo de dificuldades é insensatez, imprudência, enfim um desatino, uma irresponsabilidade daqueles escolhidos e postos para administrar, para gerir, para negociar. Os governos precisam praticar o exercício da sabedoria. De modo a reunir-se com seu povo, demonstrando que há momentos de plantar e de colher, de juntar e de afastar.

Mas, o estágio altamente crítico e que assume caráter de desespero e, consequentemente, de atitude enérgica, trata-se da calamidade. Calamidade pública. Não se surpreenda se alcançarmos este nível muito rapidamente, pois estamos sob a iminência e a caminho desta fase. Disputar água de beber como já acontece, já é forma não declarada de uma calamidade pública. É desespero. Para alguns resistíveis porque o dia mal só chegou ao vizinho e ainda não lhe alcançou. Mas, para outros que recebe uma gota e senta para esperar a outra gota noventa ou cem dias após, numa imposição vexatória e humilhante. Saibam, porém, que existem passos largos em sua direção. Prestes a te alcançar. Seja na via da falta da água potável ou no resultado da falta deste liquido precioso e que nos traz alimento sobre a mesa.

Noutro dia e muito recentemente vimos notícia de que a polícia militar ambiental atuou, energicamente, contra agricultores do município de Utinga. Estes agem sob a batuta de seu comandante geral, que é o governador do estado. Mas, teremos que analisar mais detidamente quais as intenções do mandatário estadual. Se o de preservar manancial de água noutras ou na mesma localidade. Se ação é passageira ou se existe dolo e má fé no sentido de beneficiar grandes agricultores e empresários rurais, que não é, inclusive, de todo criminoso, pois estes de igual modo, embora numa proporção maior e gigante gerem emprego e fornece alimentos para comunidades populosas. Mais uma oportunidade de exercitar a sabedoria e atuação no objetivo de fazer a canção em que adormeça as crianças e despertam os homens sob a mesma partitura, a partir dos mesmos acordes. Mais uma oportunidade do diálogo em que anteceda a ação, para que esta não parecesse afrontosa, desumana, insensível.

Apesar das críticas de reclamação contrárias e ainda assim a regra é nunca generalizar. Não podemos, por exemplo, inocentar e nem crucificar definitivamente o partido dos trabalhadores, o PT. Mas, que este não deve trair sua história de lutas, ah isto não deve mesmo. Não podemos diferençar e separar lutadores que se esforçam pelos voos mais altos em detrimento e prejuízo da resolução de um problema social urgente. Ou seja, vale indagar, interpelar, perquirir, perguntar se os partidários priorizam vitórias de muitos de seus membros individualmente ou de toda uma coletividade que precisa de greve e de pedidos de socorros diariamente. Sua vivência atual tem sido contraditória, paradoxal. Porque quando alguns muitos destes galgam o poder os transforma em algoz, escravizadores e abandonam e deixam de observar a regra e lei das quais utilizaram como cartilha por toda a vida. É necessário que todos nós fiquemos atentos com luz amarela piscando, reversadamente, com a de cor vermelha. Vermelha de perigo. Lula combatente, depois algoz, de volta combatente e daqui a pouco patrão insensível outra vez quando ao poder retornar. De igual forma, o mesmo ocorre com Dilma e Jaques Wagner. Quer mudança do chicoteado para chicoteador – é só dar-lhes poder. E isto é com você. Pelo menos este poder você o tem.

Mas, não pense você outro partidarista que estas palavras não vos alcançam. Muitos de vós nem história comparativa tendes.

Viva a liberdade de expressão e viva a democracia. Atributo dos quais muito custou a conquistar. Conquista de todos os brasileiros.

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