Estado Islâmico sofre derrota simbólica em cidade síria; Ocidente ameaça com sanções

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Rebeldes sírios apoiados pela Turquia aplicaram neste domingo um duro golpe ao grupo Estado Islâmico (EI), ao reconquistarem uma cidade perto da fronteira turca, Dabiq, simbólica para os jihadistas, e ocidentais ameaçaram em Londres aplicar sanções ao regime sírio e a seu aliado, Rússia.

O revés do EI aconteceu enquanto americanos e europeus se reuniam em Londres em uma nova tentativa de deter o banho de sangue na Síria, onde os bombardeios continuavam neste domingo.

Em Londres, onde se reuniram neste domingo os países que apoiam a oposição síria, o secretário americano de Estado, John Kerry, afirmou que nos bairros rebeldes de Aleppo foram perpetrados “crimes contra a humanidade”.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que dispõe de uma ampla rede de fontes na Síria, “os rebeldes tomaram Dabiq após a retirada dos jihadistas do Estado Islâmico.

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O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, assinalou que os rebeldes também capturaram Soran, uma localidade vizinha.

Um dos grupos rebeldes, a União Fastaqim, confirmou que Dabiq caiu após violentos combates com o Daesh, o acrônimo em árabe do EI.

A agência oficial turca Anadolu explicou que os rebeldes sírios estavam desativando bombas deixadas pelo EI. Segundo a Anadolu, nove rebeldes morreram e outros 28 ficaram feridos nos combates.

O ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, afirmou neste domingo que os rebeldes apoiados por seu país avançariam agora para Al Bab, cidade em poder dos extremistas situada a aproximadamente 30 km ao sul de Dabiq.

O secretário americano de Defesa, Ash Carter, saudou a liberação de Dabiq, “que dá novo impulso à campanha para infligir uma derrota duradoura” ao EI na Síria.

Esta derrota tem um alcance simbólico para os jihadistas, pois, segundo uma das profecias do Islã, o exército dos muçulmanos seria dizimado, mas acabaria triunfando na cidade síria de Daqib.

– EI perde territórios –

O território controlado pelo EI segue diminuindo. Seu “califado”, que se estendia por 90.800 km² no começo de 2015, abrange, hoje, 68.300 km² em Iraque e Síria, segundo a empresa americana IHS.

De acordo com a Anadolu, desde o começo das operações, em agosto, os rebeldes apoiados pela Turquia tomaram o controle de 1.130 km². As áreas recuperadas estavam nas mãos de curdos ou do EI.

Mas sangue continuava sendo derramado na Síria. Um dia depois de negociações sem resultado com a Rússia na Suíça, o secretário de Estado americano, John Kerry, reuniu-se na tarde deste domingo, na capital britânica, com os chanceleres britânico, Boris Johnson, e francês, Jean-Marc Ayrault.

A reunião na Suíça não permitiu elaborar um plano para restabelecer a trégua violada em setembro. Foi o primeiro encontro entre Kerry e o russo Serguei Lavrov desde o começo da ofensiva russo-síria, há três semanas, contra os bairros controlados por rebeldes no leste de Aleppo, norte daquele país. Estes bairros sofreram novos bombardeios aéreos neste domingo.

– Ocidentais ameaçam com sanções –

Em Londres, Estados Unidos e Reino Unido alertaram neste domingo que os aliados ocidentais pretendem impor novas sanções econômicas contra a Síria e a Rússia motivadas pelas ações em Aleppo, declarou o secretário de Estado americano, John Kerry, em Londres.

“Nós planejamos sanções suplementares e queremos ser claros, o presidente Obama não descartou nenhuma opção no momento”, declarou Kerry após uma reunião sobre a Síria com países afins que apoiam a rebelião síria.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, disse em entrevista coletiva que foram propostas “várias medidas”, “incluindo medidas suplementares contra o regime e seus apoios”.

“Estas medidas afetarão os autores de esses crimes”, advertiu.

Kerry minimizou a possibilidade de uma ação militar, acrescentando que seu dever era esgotar todas as soluções diplomáticas.

“Conversamos sobre todos os mecanismos à nossa disposição, mas não vejo nenhum interesse em ir à guerra em nenhuma parte da Europa”, acrescentou o secretário de Estado americano.

O OSDH informou que morreram pelo menos 31 civis, a metade em bombardeios russos do bairro de Qaterji, onde uma dezena de famílias se encontravam presas sob os escombros. Ao longo do domingo, bombardeios contra os bairros de Sukkari, Hanano e Bustan Al Qasr deixaram quatro mortos, segundo a mesma fonte.

O regime de Damasco e a Rússia afirmam que bombardeiam Aleppo para eliminar terroristas. Moscou propôs esta semana que os rebeldes deixassem aquela cidade, garantindo a sua segurança. Já a ONU apresentou um plano para que saíssem os combatentes do Fatah al-Sham, ex-Frente al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda.

Mas tanto a oposição quanto seus apoios temem que, sob o pretexto de retirar os combatentes, o regime e a Rússia busquem apenas uma rendição completa de Aleppo.

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