Astrônomos ucranianos analisaram vídeos de alta velocidade e estimaram que um dos objetos aparentes se deslocava a cerca de 20 km por segundo; estudo não determina a origem dos fenômenos
Um estudo produzido por pesquisadores do Observatório Astronômico Principal da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia chamou atenção ao relatar a detecção de mais de 20 objetos ou fenômenos não identificados em imagens obtidas nas proximidades da Lua.

O trabalho, intitulado UFOs on the Moon, é assinado por Boris Zhilyaev, Vladimir Petukhov e Sergey Pokhvala. Segundo os autores, gravações em vídeo de alta velocidade permitiram identificar diversos pontos incomuns, alguns aparentemente projetados contra o disco lunar.
Apesar do uso da sigla UFO, equivalente a OVNI em português, o estudo não afirma que os objetos sejam espaçonaves extraterrestres. Os próprios pesquisadores definem UFOs como objetos ou fenômenos observados no céu que ainda não foram identificados ou explicados.
Imagens foram registradas durante observação da Lua
As observações descritas no estudo ocorreram em 7 de setembro de 2025, a partir da vila de Vinarivka, no sul da região de Kyiv, na Ucrânia.
Os pesquisadores utilizaram um telescópio Intes-Alter M603, equipado com uma câmera ASI 294 Pro. As imagens foram registradas com resolução temporal de 0,05 segundo, equivalente a aproximadamente 20 registros por segundo. O material também passou por procedimentos de calibração para reduzir efeitos provocados pela câmera e por diferenças de iluminação.

Após a análise dos vídeos, os autores afirmam ter identificado mais de 20 objetos.
Para organizar as observações, eles criaram duas classificações provisórias: objetos chamados de “atmosféricos”, aparentemente estacionários em relação à Lua, e objetos denominados “continentais”, que pareciam atravessar o disco lunar.
Esses termos são utilizados pelos próprios pesquisadores e não significam, por si só, que tenha sido determinada a localização real dos objetos.
Objeto teria cerca de 39 quilômetros
Uma das observações mais surpreendentes aparece nas imagens analisadas nas páginas 2 e 3 do trabalho.
Os pesquisadores identificaram uma região escura passando diante do disco lunar. Após o processamento da imagem, eles descrevem o objeto como tendo uma forma aproximadamente toroidal — semelhante a um anel — e extensão de cerca de 28 pixels, o que, considerando a hipótese adotada para a distância, corresponderia a aproximadamente 39 quilômetros.

Na Figura 6, na página 3, o processamento realmente mostra uma estrutura circular com uma região mais escura no centro. Já a Figura 7 reúne registros utilizados pelos autores para avaliar o deslocamento do fenômeno.

Ao comparar imagens separadas por um intervalo de 2,5 segundos, a equipe estimou uma velocidade de aproximadamente 19,5 quilômetros por segundo.
Isso corresponde a cerca de 70 mil quilômetros por hora.
É importante observar, porém, que estimativas de tamanho e velocidade dependem diretamente da distância assumida para o objeto. Caso o fenômeno estivesse muito mais próximo da câmera, por exemplo, suas dimensões físicas reais seriam diferentes.
Objetos apresentaram mudanças sincronizadas de brilho
Outra característica destacada pelos pesquisadores foi uma aparente variação de luminosidade.
De acordo com o estudo, dois objetos separados por cerca de 40 quilômetros na imagem analisada apresentaram mudanças de brilho correlacionadas. A equipe identificou oscilações em frequências de aproximadamente 2, 4, 6 e 8 hertz.
Posteriormente, três outros objetos também teriam apresentado alterações de luminosidade semelhantes, mesmo aparecendo separados por centenas de quilômetros na escala adotada pelos pesquisadores. As variações de brilho foram estimadas em aproximadamente 5%.
Na Figura 8, página 4, o estudo compara as curvas de brilho dos três objetos com a luminosidade do fundo da imagem. Os autores argumentam que o comportamento relativamente estável do fundo reforça a interpretação de que as oscilações estariam associadas aos próprios objetos observados.

Alguns poderiam ter centenas de metros ou quilômetros
Para outro grupo de objetos, os pesquisadores realizaram cálculos baseados no brilho aparente e no chamado albedo, que representa a quantidade de luz refletida por uma superfície.
Dependendo do valor utilizado para o albedo, um objeto poderia ter aproximadamente 310 metros, caso refletisse praticamente toda a radiação solar incidente, ou chegar a cerca de 1,8 quilômetro utilizando uma refletividade semelhante à estimada pelos autores para outro dos fenômenos analisados.
Por isso, o próprio trabalho apresenta essas dimensões como estimativas dependentes das hipóteses utilizadas nos cálculos, e não como medições diretas do tamanho físico dos objetos.
Estudo fala em “camuflagem” contra o fundo lunar
Os autores também chamam atenção para o baixo contraste dos fenômenos.
Segundo o artigo, alguns dos objetos apresentam cor e brilho muito próximos aos da própria superfície da Lua, o que dificultaria sua identificação em imagens convencionais.
Um dos registros utilizados no estudo apresentava contraste de apenas cerca de 3% em relação ao fundo lunar.
Na conclusão, os pesquisadores afirmam que os objetos analisados seriam praticamente indistinguíveis da Lua em termos de brilho e cor e reiteram uma velocidade próxima de 20 km/s para os fenômenos classificados por eles como móveis.
O estudo prova que existem naves na Lua?
Não.
Esse é provavelmente o ponto mais importante para interpretar corretamente o trabalho.
A pesquisa relata a existência de imagens que os autores não conseguiram identificar satisfatoriamente e apresenta cálculos baseados em determinadas hipóteses de distância, luminosidade e reflexão da luz.
Chamar algo de OVNI ou UAP significa apenas que o fenômeno permanece não identificado. Isso não determina se sua origem é extraterrestre, atmosférica, instrumental ou relacionada a qualquer outro fenômeno.
O documento também não apresenta, por si só, uma identificação definitiva da natureza dos objetos observados.
Ainda assim, as dimensões e velocidades calculadas pelos pesquisadores tornam o estudo incomum e podem estimular novas observações independentes da Lua com equipamentos de alta velocidade.





