Uma estimativa do Banco Central revelou que, em agosto de 2024, cerca de cinco milhões de beneficiários do programa Bolsa Família destinaram aproximadamente R$ 3 bilhões para empresas de apostas esportivas. Os dados, que consideram transações realizadas via Pix, trazem à tona preocupações sobre o uso indevido dos recursos destinados às famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo o levantamento, 80% desses apostadores são chefes de família, que juntos transferiram R$ 2 bilhões para plataformas de apostas no período. O perfil dessas pessoas coincide com os requisitos de participação no Bolsa Família, que exige uma renda mensal de até R$ 218, caracterizando condição de pobreza, além do cadastro no CadÚnico.
A análise, solicitada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), destaca ainda que o fenômeno das apostas via Pix atingiu mais de 24 milhões de brasileiros no mesmo mês. O perfil predominante é de homens entre 20 e 30 anos, que gastam em média R$ 100 por mês com apostas.
Diante desse cenário, o senador Aziz tem pressionado o governo federal a acelerar o processo de regulamentação das apostas esportivas no Brasil, argumentando a necessidade de maior fiscalização. Ele afirmou ainda que pretende acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que todos os sites de apostas sejam temporariamente suspensos até que a regulamentação esteja completa.
A revelação desses números reacendeu o debate sobre o impacto das apostas esportivas na economia doméstica e a urgência de medidas regulatórias que possam proteger os mais vulneráveis de possíveis riscos financeiros.







