A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou ao centro das discussões políticas nesta sexta-feira (3) após elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação (MEC), do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicação nas redes sociais, Michelle classificou a iniciativa como um “sonho realizado” e parabenizou a comunidade surda, mas a manifestação provocou reações negativas entre parte da base bolsonarista.
O programa do governo federal busca ampliar a oferta da educação bilíngue para surdos, garantindo acesso, permanência e melhores condições de aprendizagem aos estudantes que utilizam essa modalidade de ensino.
Ao comentar a iniciativa, Michelle escreveu que seguia trabalhando por “um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”. Segundo aliados, o reconhecimento ao programa ocorreu porque a medida atende a uma pauta defendida por ela desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando participou das articulações para a criação de uma diretoria voltada à educação bilíngue de surdos.
Apesar da justificativa, a publicação gerou forte repercussão entre apoiadores do ex-presidente. Nas redes sociais, militantes bolsonaristas criticaram Michelle e passaram a compartilhar mensagens chamando-a de “traidora”. Também circularam em grupos de WhatsApp de integrantes do PL montagens da ex-primeira-dama vestindo uma camisa com as cores do PT, em referência ao elogio feito a uma política implementada pelo governo Lula.
A polêmica acontece em meio à crise envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na semana passada, a ex-primeira-dama afirmou ter recebido uma “punhalada” e tornou público o desgaste na relação com o enteado, dizendo ter sido desrespeitada durante uma ligação telefônica.
Flávio respondeu às declarações nas redes sociais, pediu desculpas publicamente à esposa de seu pai e afirmou estar de “coração aberto” para uma reconciliação. O episódio, no entanto, aprofundou divisões internas no Partido Liberal, com parlamentares demonstrando apoio tanto a Michelle quanto ao senador.
Após a repercussão do conflito familiar, Michelle anunciou sua saída do comando do PL Mulher, decisão que aumentou as especulações sobre sua participação nas articulações políticas do partido para as eleições.
Nesta sexta-feira, Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniram durante um seminário do partido no Rio de Janeiro. Segundo apuração do jornalista Gustavo Uribe, a conversa teve como foco a crise provocada pelas declarações de Michelle.
Valdemar tem defendido um encontro presencial entre Michelle e Flávio para tentar encerrar o impasse. No entanto, de acordo com a mesma apuração, a ex-primeira-dama ainda resiste à ideia e teria sinalizado que não pretende participar de eventos de campanha ao lado do senador durante o período eleitoral.





