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Se o dinheiro acabar na sua casa antes da metade do mês, você sabe o que fazer?

O salário entrou, as contas começaram a vencer, foi preciso comprar alimentos e, quando você abriu o aplicativo do banco, percebeu que quase não havia mais dinheiro. O problema é que o mês ainda nem chegou à metade.

Essa situação provoca ansiedade e pode levar a decisões perigosas, como usar todo o limite do cartão de crédito, entrar no cheque especial ou contratar o primeiro empréstimo oferecido pelo banco. Mas a primeira providência não deve ser procurar crédito. Antes disso, é necessário descobrir exatamente quanto falta e quais despesas realmente precisam ser pagas.

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Se o dinheiro acabar na sua casa antes da metade do mês, você sabe o que fazer?
Se o dinheiro acabar na sua casa antes da metade do mês, você sabe o que fazer?

O dinheiro acabar cedo nem sempre significa apenas falta de organização. O problema também pode estar relacionado ao aumento das despesas, à redução da renda, ao acúmulo de parcelas ou a um orçamento que já não corresponde à realidade da família.

Primeiro, descubra o tamanho real do problema

Pegue uma folha de papel, uma planilha ou o bloco de notas do celular e registre três informações: quanto dinheiro ainda está disponível, quantos dias faltam para a próxima renda e quais despesas essenciais ainda precisam ser pagas.

Inclua alimentação, medicamentos, transporte para o trabalho, água, energia, gás, aluguel e outras necessidades que não podem ser simplesmente ignoradas. Depois, separe as parcelas, assinaturas, compras e compromissos que podem ser adiados, reduzidos ou negociados.

Esse levantamento pode revelar duas situações diferentes. A primeira é um aperto pontual, provocado por uma despesa inesperada. A segunda é um problema estrutural, quando a renda já não consegue pagar o custo normal da casa.

O Banco Central orienta que o orçamento familiar comece pelo registro de todas as receitas e despesas. Esse controle permite identificar hábitos de consumo, definir prioridades e administrar melhor os imprevistos.

Monte um orçamento de sobrevivência até o próximo pagamento

Quando o dinheiro acaba antes da metade do mês, o orçamento normal precisa dar lugar temporariamente a um orçamento de emergência.

Nesse período, devem ser preservadas as despesas indispensáveis para a segurança e o funcionamento da casa. Compras não essenciais, pedidos por aplicativo, passeios, assinaturas pouco utilizadas e gastos que podem esperar devem ser interrompidos.

A pergunta para cada despesa é simples: “Se eu não pagar ou não comprar isso agora, haverá algum prejuízo grave antes da próxima entrada de dinheiro?”

Se a resposta for não, provavelmente o gasto pode ser adiado. Esse corte não precisa ser permanente. A intenção é atravessar os próximos dias sem criar um problema ainda maior.

A alimentação precisa ser planejada, não simplesmente cortada

Economizar no supermercado não significa deixar a família sem comida. Antes de fazer uma nova compra, confira o que já existe na geladeira, no congelador e nos armários.

Monte as refeições com os produtos disponíveis e faça uma lista apenas com o que estiver faltando. Compare o preço por quilo ou por litro, substitua temporariamente itens mais caros e evite entrar no supermercado sem saber o que pretende comprar.

Arroz, feijão, ovos, frango, legumes da época e preparações feitas em casa geralmente permitem organizar refeições por vários dias. Pequenas compras diárias, embora pareçam mais baratas, podem consumir mais dinheiro porque dificultam o controle do total gasto.

Também é importante evitar desperdícios. Uma sobra do almoço pode ser aproveitada em outra refeição, enquanto frutas muito maduras podem ser usadas em vitaminas ou receitas. Em um mês apertado, aproveitar melhor os alimentos disponíveis faz diferença.

Não pague uma conta no automático sem avaliar as consequências

Se o dinheiro disponível não for suficiente para todas as despesas, será necessário estabelecer prioridades. Moradia, alimentação, medicamentos, transporte para o trabalho e serviços essenciais merecem atenção imediata.

Isso não significa simplesmente deixar as outras contas vencerem. Entre em contato com a empresa ou instituição financeira antes da data do pagamento e pergunte sobre mudança de vencimento, parcelamento ou negociação.

Em alguns casos, conversar antecipadamente pode evitar multas maiores, interrupção de serviços ou a contratação de um empréstimo por desespero. Não aceite, porém, uma parcela apenas porque ela parece pequena. Verifique por quantos meses será cobrada e qual será o valor total pago.

Cuidado com o dinheiro “fácil” oferecido no celular

Quando o saldo se aproxima de zero, aplicativos bancários costumam exibir ofertas de empréstimo, antecipação de renda, aumento do limite e parcelamento da fatura. A liberação rápida pode dar a impressão de que o problema foi resolvido, mas o dinheiro emprestado comprometerá os meses seguintes.

Se o empréstimo for realmente inevitável, não escolha apenas pela menor parcela. Compare o Custo Efetivo Total, conhecido como CET. Ele reúne juros, tarifas, impostos, seguros e outros encargos cobrados na operação.

A orientação do Banco Central é comparar propostas de mesmo valor e prazo pelo CET. O órgão também alerta que ofertas de “crédito fácil” podem ter custos elevados e aumentar o risco de superendividamento.

Antes de aceitar, responda: qual é o valor exato de que preciso? Quanto pagarei no total? A parcela caberá no orçamento do próximo mês sem faltar dinheiro novamente?

Se não houver resposta segura para essas perguntas, o empréstimo provavelmente apenas empurrará o problema para a frente.

Usar o cartão pode criar uma falsa sensação de renda

O limite do cartão de crédito não é uma extensão do salário. Ele representa uma dívida que chegará na próxima fatura.

Continuar fazendo compras no cartão depois que o dinheiro acaba pode esconder temporariamente o déficit. No mês seguinte, porém, parte da nova renda será usada para pagar despesas antigas, reduzindo ainda mais o valor disponível.

Também é preciso ter cuidado com o pagamento mínimo da fatura. Mesmo com o limite legal que impede que juros e encargos do rotativo e do parcelamento ultrapassem 100% do valor principal, uma dívida de cartão ainda pode dobrar de tamanho. A regra é explicada pelo próprio Banco Central.

Se a fatura não puder ser paga integralmente, compare as alternativas oferecidas, verifique o CET e procure negociar antes do vencimento.

E quando isso acontece todos os meses?

Se o dinheiro acaba cedo repetidamente, não se trata mais de um imprevisto. Existe um desequilíbrio entre a renda da família e as despesas assumidas.

Nesse caso, passar alguns dias sem gastar pode ajudar momentaneamente, mas não resolverá a causa. Será necessário revisar parcelas, renegociar contratos, cancelar despesas recorrentes e talvez buscar uma fonte complementar de renda.

Uma medida prática é separar, assim que o salário entrar, o dinheiro destinado às despesas essenciais. Outra possibilidade é dividir o valor disponível para alimentação e gastos variáveis por semanas. Dessa forma, fica mais fácil perceber quando o consumo está acelerado.

Também vale tentar mudar as datas de vencimento das contas para depois do recebimento do salário. Quando vencimentos e entrada de renda estão muito distantes, a organização se torna mais difícil.

Comece uma reserva mesmo que o valor seja pequeno

Falar em reserva de emergência para quem está sem dinheiro pode parecer distante da realidade. Por isso, a primeira meta não precisa ser juntar vários meses de salário.

O começo pode ser guardar R$ 20, R$ 50 ou qualquer valor possível. Depois, a meta pode avançar para o equivalente a uma semana de despesas essenciais e, futuramente, para um mês.

O importante é criar uma barreira entre o imprevisto e o empréstimo. Segundo o Caderno de Educação Financeira do Banco Central, manter uma reserva para eventualidades reduz o risco de endividamento diante de problemas como doenças, acidentes e consertos inesperados.

Uma renda extra pode ajudar, mas exige cuidado

Vender objetos sem uso, oferecer um serviço, realizar trabalhos temporários ou produzir alimentos para venda pode aliviar o orçamento. Entretanto, desconfie de promessas de dinheiro rápido que exijam pagamento antecipado, compra obrigatória de cursos ou envio de dados bancários.

A renda extra deve servir para cobrir o déficit, quitar dívidas caras e começar uma reserva. Se todo o novo dinheiro for incorporado imediatamente ao consumo, o aperto poderá voltar.

Quando procurar ajuda para renegociar as dívidas

Existe um sinal de alerta importante: quando pagar empréstimos, cartões e compras parceladas impede a família de manter alimentação, moradia, saúde e outras necessidades básicas.

A legislação brasileira define como superendividamento a impossibilidade de o consumidor de boa-fé pagar suas dívidas de consumo sem comprometer o mínimo necessário para viver. A proteção está prevista na Lei nº 14.181/2021.

Quem estiver nessa situação pode buscar orientação no Procon e verificar a possibilidade de negociação pelo Consumidor.gov.br. A recomendação é reunir comprovantes de renda, contratos, faturas e uma relação completa das despesas familiares.

O que fazer ainda hoje

Antes de procurar um novo empréstimo, veja o saldo disponível, anote as despesas essenciais e calcule quanto será necessário para chegar à próxima renda. Suspenda temporariamente os gastos dispensáveis e entre em contato com os credores das contas que não poderão ser pagas.

Depois que o momento mais urgente passar, revise os últimos três meses do extrato bancário e da fatura do cartão. Essa análise mostrará se o dinheiro acabou por causa de um imprevisto ou se o orçamento precisa de uma mudança permanente.

Ficar sem dinheiro antes da metade do mês não é motivo para vergonha, mas é um aviso que não deve ser ignorado. Quanto mais cedo a família encarar os números, menor será o risco de transformar um aperto temporário em uma dívida difícil de controlar.

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