Tecnologia permite que smartphones se conectem diretamente aos satélites da Starlink em locais sem cobertura de 4G ou 5G; Vivo já realiza testes autorizados pela Anatel no Brasil
Clientes da Vivo poderão ganhar uma nova forma de se manter conectados mesmo em regiões onde não existe sinal das antenas convencionais de telefonia. A operadora avança nos testes de uma tecnologia que permite conectar celulares diretamente aos satélites da Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, sem precisar instalar a tradicional antena da Starlink.

Nos últimos dias, usuários chegaram a identificar uma rede chamada “Vivo Starlink” nas informações de rede de seus smartphones, reforçando os indícios de que os testes da tecnologia estão avançando no país. Segundo apuração do Tecnoblog, Vivo e Starlink se aproximam de uma parceria estratégica, embora as empresas ainda não tenham anunciado oficialmente as condições comerciais do serviço.
Como funcionaria a Starlink no celular da Vivo?
A tecnologia é conhecida como Direct-to-Device (D2D) ou Direct to Cell. Na prática, determinados satélites funcionam como uma espécie de antena de telefonia móvel no espaço.
Em uma área onde o celular não consegue encontrar uma torre da Vivo, por exemplo, o aparelho poderá tentar estabelecer comunicação diretamente com um satélite compatível que esteja passando sobre a região.
A grande diferença está justamente no equipamento necessário: o usuário não precisaria comprar a antena parabólica utilizada atualmente pelos clientes da internet residencial da Starlink.
O objetivo é permitir que smartphones compatíveis utilizem a conexão por satélite diretamente. A tecnologia é vista principalmente como complemento das redes terrestres, e não como substituta do 4G ou 5G.
Anatel já autorizou testes da Vivo
O projeto já passou da fase de simples especulação.
A Telefônica Brasil, controladora da Vivo, recebeu autorização para realizar testes de comunicação direta entre satélites e celulares em território brasileiro entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026.
A autorização permite testes com até 50 terminais móveis. O experimento utiliza frequências na faixa de 2,5 GHz e integra o ambiente regulatório experimental da Agência Nacional de Telecomunicações.
A Anatel também vem preparando a regulamentação brasileira para esse tipo de serviço. Em julho, a agência avançou na destinação de faixas que poderão permitir a comunicação entre satélites de baixa órbita e celulares convencionais, sempre associada a uma operadora que detenha o direito de uso das frequências terrestres.
Rede “Vivo Starlink” começa a aparecer
Outro sinal importante surgiu em agosto.
Usuários começaram a encontrar a identificação “Vivo Starlink” em aparelhos durante os testes de rede. Fontes ouvidas pelo Tecnoblog indicaram que Vivo e Starlink estariam se aproximando da efetivação do acordo e que um anúncio poderia ocorrer nos próximos meses.
Em julho, o portal especializado Tele.Síntese já havia informado que a Vivo negociava com a SpaceX um contrato para oferecer conectividade D2D no Brasil. Na ocasião, Vivo e SpaceX não comentaram oficialmente as negociações.
Portanto, apesar dos fortes indícios, a parceria comercial ainda não deve ser tratada como oficialmente lançada.
Tecnologia pode beneficiar principalmente quem mora ou viaja por áreas rurais
Caso seja disponibilizado comercialmente, um dos maiores impactos deverá ocorrer justamente fora dos grandes centros urbanos.
Estradas, fazendas, serras, povoados e regiões rurais onde hoje existem grandes áreas sem sinal poderão contar com uma alternativa de comunicação.
Para moradores de cidades do interior da Bahia e da Chapada Diamantina, por exemplo, a tecnologia chama atenção pela possibilidade de reduzir os chamados “buracos de cobertura”, comuns durante viagens por rodovias e em comunidades afastadas das sedes municipais.
O próprio modelo D2D foi desenvolvido para funcionar como complemento à infraestrutura terrestre em regiões onde instalar novas torres de telefonia é difícil ou economicamente pouco viável.
Não significa ter a mesma velocidade da Starlink residencial
Um ponto importante é que conectar o celular diretamente ao satélite não significa transformar imediatamente o smartphone em uma Starlink residencial de alta velocidade.
A capacidade disponível no D2D ainda é inferior à das modernas redes terrestres. Dependendo da evolução do sistema, do espectro disponível e do modelo oferecido pela operadora, a conexão pode atender inicialmente serviços mais simples e depois avançar para mensagens, dados, chamadas e outras aplicações.
A Starlink vem desenvolvendo sua tecnologia Direct to Cell justamente para permitir comunicação com smartphones sem modificações complexas. Fora do Brasil, o serviço já passou a ser incorporado por operadoras parceiras.
A própria Telefónica, grupo controlador da Vivo, já possui experiência com a Starlink no exterior. No Reino Unido, a Virgin Media O2 lançou o O2 Satellite, baseado no Starlink Direct to Cell, para ampliar a cobertura móvel em regiões remotas.
Quanto vai custar?
Esse ainda é um dos principais mistérios.
Não há anúncio da Vivo informando preço, planos incluídos, lista definitiva de celulares compatíveis ou data de lançamento comercial no Brasil.
Também não está definido publicamente se o acesso por satélite será incluído em determinados planos da operadora ou vendido como um serviço adicional.
Por enquanto, portanto, clientes não precisam contratar nenhuma Starlink nem comprar antena por causa dos testes.
A expectativa agora fica em torno do possível anúncio da parceria e das condições que serão oferecidas ao consumidor brasileiro.
Se o acordo for confirmado, a chegada da Starlink diretamente aos celulares da Vivo poderá representar uma das maiores mudanças recentes na cobertura móvel do país: em vez de depender exclusivamente de uma torre próxima, o celular poderá recorrer a satélites no espaço quando estiver fora do alcance da rede terrestre.





